Empresário aponta ganhos advindos da experiência com o Covid-19

Para Edmilson Formentini, pandemia tirou empresários da zona de conforto e os fez repensar negócios

Para Edmilson Formentini, pandemia tirou empresários da zona de conforto e os fez repensar negócios

A experiência traumática da pandemia do coronavírus certamente terá efeitos duradouros no mundo, inclusive nos negócios. É o que acredita o empresário do setor de serviços terceirizados Edmilson Formentini, há mais de 45 anos à frente do grupo ‘A Executiva’, que atua no interior de São Paulo em diversos segmentos, que vão desde o trabalho temporário, controles de acesso presencial e remoto a prestação de serviços de asseio e conservação. Para ele, a mudança provocada pelo Covid-19 atingiu com força o modelo de pensamento de milhares de gestores.

Alteramos o esquema de trabalho, buscamos ser mais produtivos com equipes mais enxutas. Demandamos muito mais das novas tecnologias e estamos, também, nos reformulando internamente. O objetivo é desenvolver com mais qualidade as nossas operações e, ao mesmo tempo, diminuir custos para superar essa fase. Tudo isso tem feito o empresário repensar seus negócios, para que as empresas garantam um crescimento sustentável”, avaliou.

A entrevista da Cebrasse News sobre os impactos do coronavirus nas empresas dessa semana traz o olhar deste empresário experiente, que também integra a direção do Sindeprestem/SP, sobre como lidar com os desafios de fomentar o desenvolvimento econômico, o crescimento estratégico e a manutenção do trabalho no Brasil. Confira!

Cebrasse News - Estamos nos encaminhando para o segundo semestre deste ano difícil, como o senhor tem avaliado a atividade econômica do setor no mês de junho?

Edmilson Formentini - Realmente passamos por um semestre avassalador. Nesse mês de junho, a economia dá sinais, embora tímidos, de leve melhora.

CN - O senhor acredita que a atuação política dos empresários - reunidos em sindicatos e centrais empresariais - têm surtido um efeito positivo para amortecer os danos e impulsionar o desenvolvimento econômico e a manutenção dos empregos?

EF - O setor de prestação de serviços, em suas inúmeras modalidades, mostrou mais uma vez a sua força e a sua união. E nenhum governo pode ficar indiferente a isso, uma vez que representamos milhares de empresas e milhões de trabalhadores. Diante disso, o governo atual vem tentando alternativas para atenuar os impactos da crise provocada pela pandemia do coronavírus.

CN - Quais as medidas de enfrentamento da crise que o senhor apontaria como sendo fundamentais a serem adotadas pelas autoridades brasileiras para enfrentar a crise e para que as empresas sejam fortalecidas e consigam sobreviver?

EF - Vale ressaltar que governo vem atuando para tentar atenuar os impactos da crise na vida das empresas e algumas medidas adotadas foram importantes. Mas o fato é que ainda é pouco. Há muito a fazer, como providências para que o crédito de emergência chegue às micro e pequenas empresas, o que tem sido um tormento. Outras medidas relevantes são aguardadas pelo empresariado, como: diluição da quitação dos impostos e tributos prorrogados dos meses de maio, junho e julho em até 12 parcelas, iguais e consecutivas, com vencimento da primeira parcela em janeiro de 2021, com a aplicação da correção somente pela Taxa Selic; suspensão imediata do pagamento do Sistema “S” (5,80% sobre a folha) enquanto perdurar a pandemia de Covid 19; possibilidade de parcelar as verbas rescisórias em até seis parcelas, bem como que haja a possibilidade de o governo financiar a rescisão contratual; abertura de linha de crédito “especial” para o setor.

CN - Com a possibilidade de uma segunda onda da pandemia (notícias dão conta de que isto pode ocorrer), se a crise sanitária perdurar mais tempo, como o setor pretende/deve se reorganizar, na sua avaliação? E como trabalhadores e sociedade em geral podem auxiliar neste processo?

EF - Rogamos para que isso não ocorra. Porém, se for inevitável, a saída é a união capital & trabalho, e com apoio do governo, encontraremos saídas constitucionais para superar mais esse obstáculo. Mais uma vez: o setor de serviços mostrará como vencer seus desafios para continuar gerando vagas no mercado de trabalho. Tem sido assim ao longo de sua história e não será diferente agora.

CN - A geração de empregos e a oferta de trabalho são fatores essenciais ao crescimento. Ambos foram fortemente afetados pela pandemia. O senhor acredita que, em 2020, o setor no qual atua como empreendedor poderá apresentar alguma melhoria nestes dois aspectos?

EF – Sim, embora reconhecendo que a crise sanitária provocou um efeito devastador em quase todas as áreas da economia. Acreditamos, por isso, que a retomada se dará de forma tímida e lenta, lembrando que as atividades desempenhadas pelo setor, em muitos casos, estão atreladas às atividades essenciais do tomador de serviços.

CN - É possível ainda manter a esperança? Se sim, o senhor poderia enviar uma mensagem sobre resiliência neste grave momento mundial?

EF - Temos que ter esperança sempre! Um dia de cada vez, com fé, força e muita paciência, juntos: empresas e empregados sairão fortalecidos. ‘O trabalho dignifica o homem’, logo, o papel da empresa é fundamental para uma sociedade pujante e harmônica.

Por Valnísia Mangueira

 

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