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Pesquisa aponta dificuldades de prestadores de serviços diante da falta de mão de obra qualificada

Cebrasse
01 de Agosto de 2010

Cresce entre empresários a preocupação com dificuldades para encontrar e reter bons profissionais. O problema só perde para a alta carga tributária e a manutenção de preços competitivos 

* Todas as tabelas da pesquisa podem ser acessadas aqui

Pesquisa nacional realizada em julho pela Central Brasileira do Setor de Serviços – Cebrasse, por meio do Grupo Ipema, focou o problema da falta de qualificação profissional que impacta a totalidade das empresas. A entidade representa 80 federações, sindicatos, associações e empresas dos mais diversos segmentos da prestação de serviços – setor responsável por dois terços do PIB e pelos maiores índices de empregabilidade no País.

O problema cresce aceleradamente nesse mercado. Em março, na avaliação das questões de ordem interna que afetam o incremento dos negócios, a retenção e a manutenção de mão de obra qualificada apareciam em último lugar (27%) entre os seis maiores desafios na gestão dos negócios. Em julho, a questão passa para o segundo lugar (52%), perdendo apenas para a manutenção de preços competitivos (57%).

No quesito influências externas, encontrar no mercado gente qualificada para empregar está em segundo lugar, com quase 71%, perdendo apenas para o já familiaríssimo campeão: a carga tributária, com 86%. Em março, apenas 30% dos entrevistados pontuaram a questão - que perdia de longe também para a concorrência desleal e a inflexibilidade das leis trabalhistas.

Paulo Lofreta, presidente da central empresarial, diz que a questão é de maior gravidade para o setor porque a atividade tem seu maior insumo na mão de obra empregada. “O apagão da mão de obra, recentemente alardeado, afeta de forma preocupante os prestadores, notadamente os de serviços terceirizados e de mão de obra intensiva, área de atuação de 82% dos entrevistados”.

Outras áreas avaliadas são as de prestação de serviços especializados prestados a pessoas (14%), assessoria, consultoria e serviços a empresas (11%), alimentação, turismo e entretenimento (2,3%)[1]

Dos segmentos envolvidos, 41% operam na limpeza e conservação, serviços gerais (34%), segurança e serviços especializados (32%), manutenção predial e jardinagem (27%), trabalho temporário (23), administrativos (18%), mecânica (14%), manutenção elétrica, RH e logística (7%), informática (4,5%), e administração de restaurantes, engenharia e montagem e promoção (2,3). As respostas apuradas são das regiões Sudeste (75%), Sul (39%), Centro-Oeste (23%), Norte e Nordeste (18%) e Distrito Federal (14%).

A totalidade dos empresários está convicta de que a indisponibilidade de trabalhadores bem preparados impacta seus segmentos em maior ou menor intensidade: altamente, para 55%, e altissimamente 18% deles. “São 73% dos pesquisados”, denotando a complexidade da questão no dia a dia das empresas.  Os demais veem o problema refletindo pouco (6,8%) ou medianamente (20,5%) no desempenho dos negócios.

Dos que apontam alto reflexo do problema no desempenho de suas empresas, 60% estão no Centro-Oeste e no Sul do Brasil. Os quase 18% que calculam altíssimo impacto distribuem-se igualmente (25%) no Norte e Nordeste, 24% no Sudeste, e 20% no Sudoeste. No Distrito Federal, todos os entrevistados deixam de apontar o nível máximo de impacto - o que se justifica por atuarem exclusivamente num determinado segmento, sem concorrência. Nessa região, outros 67% crêem no alto impacto, e 17% calculam níveis médio e pequeno.

No Sudeste, onde se concentra o maior número dos entrevistados, 51,5% dos empresários preveem alto impacto da escassez de funcionários na performance dos negócios. Cerca de 9% indicam pequeno impacto.

Atuam no Sul (quase 40% do total avaliado) os que mais pontuam alto impacto (59%), e, consequentemente, menor impacto (6%). Norte e Nordeste (igualmente em 18% dos pesquisados) são as regiões onde o altíssimo impacto é mais assinalado – 25%, quase o mesmo nível do Sudeste (24,2%).

Cargos de maior indisponibilidade

Cerca de 16% dos empresários de vários segmentos não sabem informar quais os profissionais que mais faltam para o preenchimento de vagas disponíveis em seus segmentos.

Pontuações em torno de 16% são indicadas para os cargos de comprador, vendedor, mecânico e eletricista; seguidos de média de 14% para supervisor, coordenador, gerente, encarregado e motorista. Depois, vêm assistentes administrativo e contábil e operadores de máquina (11,4%), seguidos de engenheiros, técnicos de manutenção, fiscal, inspetor, agentes de limpeza, faxineiros, limpadores de vidro, porteiros, recepcionistas, (9,1%). Cargos de pedreiro, pintor, serviços gerais, jardineiro, logística, segurança e vigilante, analista financeiro e funileiro foram indicados por 6,8% dos empregadores.

Várias outras funções pontuam entre 4,5% e 2,3% na indicação dos pesquisados quanto a dificuldades para encontrar trabalhadores preparados. A maioria, como as anteriores – à exceção de engenheiros -, exigindo níveis de baixa e média escolaridade.

Por regiões - No Sudeste estão 40% dos 16% de empresários que não souberam apontar a funções de maior indisponibilidade. Dos que o fizeram, a totalidade absoluta cita falta de trabalhadores para as funções de brigadista, controlador, comprador, vendedor e especialistas em licitações públicas. Outras funções mais pontuadas (75%) são as de segurança e vigilante; logística (67%); agentes de limpeza e faxineiro, porteiro, recepcionista, monitor, zelador, supervisor e coordenador.

No Sul, 100% dos empresários aponta falta selecionadores de Recursos Humanos e promotores, e metade deles citou operadores de monitoramento e zeladores. Não se registra indisponibilidade para vagas de brigadista, segurança e vigilante e outras altamente pontuadas no Sudeste.

No Norte e Nordeste estão 18% dos que respondem a pesquisa. No Norte, ampla indisponibilidade é observada nas funções de serviços gerais e de teleatendimento – não citadas nas demais regiões. O Nordeste é a região onde menos se detecta falta de funcionários para diversas funções: média de 14% para motorista e segurança do trabalho; e em torno de  10% para supervisor,  coordenador, fiscal e inspetor.

No Centro-Oeste (como também no Sul e Sudeste) 30% dos pesquisados apontam dificuldades para empregar limpadores de vidro e fachadas. Um quarto dos empregadores  registra o mesmo problema nas funções de  operador de máquinas de limpeza, lavador de tapete, e líder. A região não registra dificuldades em muitos cargos faltantes no eixo sul/sudeste do País.

No Distrito Federal estão os menores índices do problema de indisponibilidade  de mão de obra -  apontados apenas  para funções de técnico em segurança do trabalho (14%) e motorista (7%).

Soluções internas

Diante de tanta indisponibilidade, cerca de 70% dos empresários realizam programas de treinamento e capacitação dentro das próprias empresas – “novamente o empresário paga o preço, investindo na qualificação que deveria vir de ações educacionais das esferas públicas”, avalia o presidente da Cebrasse.

Outras ações para o enfrentamento do problema são buscas de novas fontes de recrutamento (41%), parcerias com fontes externas de capacitação (39%) ou com sindicatos de trabalhadores (20%). Observa-se que entidades laborais têm baixa atuação no aprimoramento da mão de obra quando suas ações são comparadas ao programas in company realizados por mais de dois terços dos empregadores. Nenhuma ação nesse sentido, dentro ou fora da empresa, foi apontada por apenas 7% dos entrevistados. A conclusão é de que estejam inseridos entre os de mesmo percentual que indicaram de baixo impacto os reflexos do problema em seu segmento.

A iniciativa in company é maior nas empresas do Sul, Norte, Centro-Oeste e Brasília (100%). No Nordeste, 87,5% dos empresários treinam internamente os funcionários - ação empreendida por 61% dos empregadores do Sudeste, onde parcerias para capacitação externas são feitas por 42% deles, e, com entidades laborais, por apenas 18%.

Nas demais regiões, os índices de atuação conjunta entre entidades de patrões e de empregados na busca de aperfeiçoamento profissional são de 30% no Centro-Oeste, 25% no Norte e 23.5% no Sul. Nenhum dos empresários do Nordeste pontuou esse tipo de parceria.

Como o governo poderia atuar

O governo vem alardeando o crescimento da geração de empregos no Brasil. Dados do Caged sobre o primeiro semestre do ano apontavam que o saldo total de novas vagas ocupadas no período chegaria próximo a 1,5 milhão. Desse total, o setor de serviços criou a maior quantidade de postos formais de trabalho: 490.028.

Ao lembrar-se de que o governo tem meta de fechar o ano com 2,5 milhões de empregos novos com carteira assinada, Paulo Lofreta afirma que o problema da qualificação deveria receber maior atenção das autoridades. “Se a questão do despreparo da mão de obra continuar como está, todas as metas de crescimento, públicas e privadas, ficarão comprometidas. E compromete-se também a qualidade dos serviços e produtos no mercado”. Para o empresário, a questão envolve toda a cadeia produtiva, exigindo providências urgentes dos governantes que, incapazes de atender a demanda da qualificação, exigem o pronto envolvimento do mercado em áreas que são de competência pública.

Sobre quais ações o governo deveria promover para minimizar o problema de baixa qualidade entre os trabalhadores do setor de serviços, cerca de 87% dos empresários citam programas de incentivo fiscal a prestadores que tenham ações internas de capacitação.  A posição é defendida por média de 65% dos prestadores de Brasília, do Sul e do Nordeste, e por cerca de metade dos que atual no Norte e no Centro-Oeste.

“Se, sem qualquer estímulo do governo, mais de dois terços dos nossos associados atuam por conta própria no aperfeiçoamento dos funcionários, imagine que patamar as ações da iniciativa privada alcançariam se tivéssemos benefícios diretos?”, indaga o presidente da Cebrasse.   

A ampliação do número de escolas técnicas é indicada como outra solução por aproximadamente 55% dos entrevistados. Diante desse quadro e da íntima conexão entre a questão da qualificação e a estrutura e funcionamento dos estabelecimentos de ensino, o dirigente da Cebrasse questiona o tempo que seria necessário para se ter número suficiente de salas de aula para o atendimento da demanda.

O empresário acrescenta que a diferença de quase 20% existente entre os 52% dos empresários que apontam o problema qualificação entre os de ordem interna das empresas e os 71% que o avaliam como fator externo “acentua a percepção de o quanto as instituições de ensino profissionalizante deixam a desejar na formação da mão de obra”.

Regionalizados, os dados apontam que está no Sul brasileiro o maior número de prestadores (94%) que cobram ações educacionais do governo. A mesma postura é de 90% dos que atuam no Centro-Oeste, e dos 87,5% do Norte e do Nordeste.  Nesse contexto, os menores níveis de exigência estão nos cerca de 82,5% dos empregadores do Sudeste e do Distrito Federal.

Outra ação pública, o aumento de verbas destinadas ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), é pontuada por um quarto dos empresários. Mas a expectativa dessa iniciativa é muito baixa: média de 10% entre os do Centro-Oeste; de 9% no Sudeste, e de 6% no Sul. Nas demais regiões, ninguém assinala essa opção de reposta.

Quase 10% respondem que o governo deveria também resolver o problema de candidatos que se apresentam para o preenchimento de vagas, mas não podem ser contratados em razão de restrições cadastrais – aqueles que têm dívidas não pagas.

Ações de entidades laborais

Cerca de 39% dos empresários classificam como medianos os resultados de ações das entidades dos trabalhadores na busca de solução para a  indisponibilidade de profissionais qualificados em seus respectivos segmentos, enquanto 32% dizem que são ineficientes. São altamente eficientes para quase 7%, contra 4,5% que os dizem totalmente ineficientes. 

Regionalmente, estão no Norte os que mais acreditam na eficiência das ações dos sindicatos laborais (62,5%), seguidos do Centro-Oeste (50%), do Sul (47%), Sudeste (42%), Nordeste 37,5%, e Distrito Federal (33%).

Média de 16% dos empregadores nada sabem informar quanto a essas ações, o que pode ocorrer pelo fato de não terem conhecimento que quaisquer iniciativas eficazes nesse sentido. A maioria deles está no Distrito Federal (33%) e no Nordeste (25%).

Na avaliação de Lofreta, quando quase 39% dos empresários assinalam  eficiência média das entidades laborais e 37% veem a ação delas como ineficiente, “essa tênue linha entre as duas posições aponta uma situação de expectativa dos empregadores quanto ao posicionamento das entidades diante da falta de preparo de mão de obra”.  São apenas 11% os que efetivamente creem na eficácia das iniciativas dos sindicatos para o preparo e o aprimoramento de seus associados. A situação é delicada por envolver entidades que negociam periodicamente assuntos entre patrões e empregados.

Desafios internos

Atrair e reter profissionais altamente qualificados é um dos principais problemas internos, apontado por 52,3% dos empregadores no mês de julho – questão que em março preocupava 27% deles. Essa preocupação com os profissionais alinha-se à necessidade de apresentação de serviço diferenciado para manter a empresa em condições de competir saudavelmente no mercado – também apontada por 52,3% dos empresários.

Mas, antes disso, em torno de 57% deles pensam em como manter preços competitivos como o maior desafio, a médio e longo prazos. Nas pesquisas da Cebrasse nos meses de março e maio a questão foi apontada por 63% dos entrevistados. Metade deles cita, em julho, as questões de administrar eficientemente e de ter foco em segmentos especializados.

Cai também o número de empresários preocupados em se manter tecnologicamente atualizado, problema apontado por 36,3% dos prestadores. Esse quesito vem caindo nas prioridades empresariais, tendo sido de 40% em março de descido dois pontos no mês de maio.

Diminui de 90% para 86%, entre março e julho, o número dos prestadores de serviços que indicam a alta carga tributária entre as maiores preocupações nascidas de fatores externos.  Depois da questão da falta de mão de obra qualificada, com 71% (pontuada em 30% e 38% nas pesquisas anteriores) vêm a informalidade (68%), a inflexibilidade das leis trabalhistas (64%), burocracia e regulamentação (27%), os problemas de infraestrutura e inadimplência de tomadores (18%), e falta de crédito (16%).

Influência das Eleições

Cerca de 91% dos entrevistados apontam o quanto o resultado das eleições afetará seus negócios: pouco para 27,3%; médio para 25%, bastante para 22,7%, e muito para 15,9%.

Somente 9% dos entrevistados não creem que mudanças na gestão das máquinas públicas federal e estaduais afetarão o desempenho das empresas. Para Lofreta, esse percentual é apontado pelas prestadoras que não têm contratos com o serviço público, contrariamente à maioria dos entrevistados.

Na pesquisa de maio, a Cebrasse apurou que 70% dos entrevistados prestavam serviços ao governo e que os contratos públicos compunham entre 40% e 80% do faturamento de mais de um terço das prestadoras. Para 41% delas, esse percentual chegava a 30%.

Humor do mercado

Quase 89% dos empresários da prestação de serviços, em maior ou menor grau, confiam no crescimento do setor. Entre março e julho, caiu dez pontos o número dos que estão simplesmente confiantes, e subiu cinco os que têm total confiança. Já o número dos pessimistas subiu de 6,7% em março para 11,4% em julho.

* Todas as tabelas da pesquisa podem ser acessadas aqui

 

Lúcia Tavares

comunicação@cebrasse.org.br

(11) 5093.9936

 

 

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