O senador Eduardo Suplicy (PT/SP) participou de debates com lideranças da sociedade civil, a convite do 1º Coordenador do Pensamento Nacional das Bases Empresariais - PNBE e de Percival Maricato, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – ABRASEL/SP e vice-presidente da CEBRASSE. Foi a primeira de muitas reuniões que visam mobilizar a sociedade civil para resgatar a moralidade no Senado e posteriormente chegar a uma reforma política que pretende mais transparência e controle, além de redução em pelo menos 50% do orçamento do Senado.
Cerca de 80 pessoas, representando aproximadamente 30 entidades, ouviram o petista afirmar que precisa haver mais transparência nas ações daquela casa - uma responsabilidade que cabe a todos os 81 parlamentares eleitos. Casos como o das cotas de passagens aéreas e aumento de salários por meio de atos secretos eram “uma tradição errada, questionada pela primeira vez em anos” disse Suplicy, afirmando sempre ter sido contra as cotas e devolvido boa parte delas em 2008.
Para o petista, somente a pressão pública poderá provocar mudanças radicais no atual quadro. Um passo importante nesse sentido seria o presidente José Sarney (PMDB-AP), afastar-se por licenciamento, até que as denúncias sejam apuradas. Suplicy disse que recentemente enviou carta a Sarney, sugerindo esse afastamento. Pedro Simon, eleito pelo PMDB do Rio Grande do Sul, também fez o mesmo pedido.
O senador paulista lembrou que, na eventualidade de Sarney deixar o cargo, a presidência da casa ficaria com Marconi Perillo (PSDB/GO), de oposição ao governo, fato que justifica atitude do presidente da República ao sair em defesa do presidente do Senado. Lula declarou que Sarney tem longa vida pública e não pode ser tratado como uma ‘pessoa comum’.
A direção do PNBE manifestou preocupação com os sucessivos escândalos divulgados pela imprensa. Em nome da democracia e da ética na política, Percival Maricato e Mário Humberg, segundo coordenador do PNBE, ressaltaram a necessidade de se exigir dos senadores a definição de responsabilidades pelos atos denunciados. Afirmando que somente medidas enérgicas tornarão possível o resgate da credibilidade do Senado, o advogado Maricato destacou a importância da pressão da sociedade para o fim de tamanha impunidade, que coloca em risco o Estado Democrático de Direito.
O convite do PNBE e demais entidades - Abrasel, Instituto Ethos, Movimento Voto Consciente e Amarribo - foi dirigido aos três senadores paulistas. Aloizio Mercadante (PT) enviou mensagem alegando ter compromissos no dia, e Romeu Tuma (PTB) ainda não respondeu.
Na avaliação do encontro com Suplicy, Maricato alegou que já houve resultados positivos. Lembrou que na tarde do mesmo dia do debate em São Paulo, o petista fez em plenário discurso exigindo que José Sarney deixasse o cargo - no que teve apoio da bancada. Mas a idéia não foi adiante porque a presidência da casa ficaria nas mãos da oposição.
As entidades promotoras do encontro com Suplicy decidiram formar um “Fórum Permanente pela Ética na Política”, insistindo nos convites aos senadores. Espera-se que nos demais estados, a sociedade civil faça o mesmo, exigindo prestação de contas e ações que ponham fim em atos degradantes como os que vêm acontecendo.
Em São Paulo, as reuniões do movimento acontecem às 12 horas de todas as segundas-feiras, à rua Itápolis 1468, no Pacaembu. Entidades da sociedade civil, inclusive as associadas à CEBRASSE, estão convidadas a participar.