Ministério do Esporte
Muito criticado pela Fifa, Morumbi custará pouco aos cofres públicosO mês de fevereiro foi marcado pelo seminário sobre a Copa do Mundo de 2014 na Assembleia Legislativa de São Paulo. A frase que mais chamou a atenção no evento foi proferida pelo Ministro do Esporte, Orlando Silva Jr. De acordo com ele, “acendeu a luz amarela” para os preparativos do Mundial.
A declaração por si só é preocupante. Mais inquietante, porém, é só ter existido esse tipo de fala em 2010, 27 meses depois do anúncio do Brasil como sede do evento. E a pergunta que fica é: o que foi feito, ou melhor, o que não foi feito desde que aconteceu o anúncio no dia 30 de outubro de 2007?
Com relação aos estádios, por exemplo, pouco — ou quase nada — foi realizado. De acordo com o Ministério do Esporte, o início das obras das arenas começaria em março de 2010, mas nem todos os estados cumpririam o prazo estipulado. Alguns casos são clássicos. A Fonte Nova, por exemplo, terá de ser completamente reconstruída para receber jogos da Copa. Até agora, nem demolido o estádio foi.
De acordo com a matriz de responsabilidades do Ministério do Esporte, o projeto da nova Fonte Nova custará R$ 591,7 milhões aos cofres do governo, sendo R$ 400 milhões por financiamento do BNDES e o restante pago pelo governo do estado. A demolição, que estava prevista para fevereiro, foi adiada. O que adiará automaticamente o início das obras, programado para junho.
E assim se seguem todos os estádios que deverão ser construídos para a Copa do Mundo. Até agora, nada feito. Dos que devem ser construídos, a Arena das Dunas de Natal ainda não teve avanço, assim como a Arena Cidade da Copa, em Recife, a Arena Manaus e o Estádio Nacional, em Brasília.
Enquanto isso, o que mais se escuta são críticas ao Morumbi vindas de todos os lados. Mas, ao lado do Beira-Rio e da Arena da Baixada — os outros estádios particulares para a Copa do Mundo —, é o que promete dar menos gastos aos cofres públicos do país.
Despesas, aliás, que prometem assustar ainda mais com a aproximação do evento. Hoje, de acordo com o Ministério do Esporte, há um planejamento de investimentos na ordem de R$ 5,4 bilhões só no que diz respeito aos estádios. Destes, R$ 3,4 bi virão de financiamento do BNDES e R$ 1,6 bi serão custeados pelos Estados. Apenas R$ 300 milhões virão da iniciativa privada.
Bastante preocupante, principalmente se levarmos em consideração o gasto calculado para os estádios da África do Sul: menos de R$ 4 bilhões. É bem verdade que na Copa de 2010 serão usados 10 e não 12 arenas. O que levanta mais uma questão: não foi exagerado escolher 12 sedes para a Copa do Mundo no Brasil? É óbvio que a grande quantidade de sedes escolhidas está diretamente ligada ao mundo político. Mas a Fifa pode, ainda, não aprovar essa ideia.
Além dos estádios, o Ministério do Esporte também divulgou os custos que terá em cada uma das sedes com mobilidade urbana. Mais uma vez, a cifra assusta. Ao todo, serão gastos quase R$ 12 bilhões. Portanto, só com estádios e mobilidade urbana, já existe a estimativa de cerca de R$ 17 bilhões. E mais virá por aí, quando o Ministério do Esporte anunciar a previsão com segurança, tecnologia, etc.
Veja os gastos com estádios e mobilidade urbana por cidade-sede:
Belo Horizonte
Estádio: R$ 426,1 milhões
Mobilidade Urbana: R$ 1,522 bilhões
Cuiabá
Estádio: R$ 454,2 milhões
Mobilidade Urbana: R$ 481,2 milhões
Curitiba
Estádio: R$ 184,5 milhões
Mobilidade Urbana: R$ 446 milhões
Distrito Federal
Estádio: R$ 745,3 milhões
Mobilidade Urbana: R$ 364 milhões
Fortaleza
Estádio: R$ 623 milhões
Mobilidade Urbana: R$ 562 milhões
Manaus
Estádio: R$ 515 milhões
Mobilidade Urbana: R$ 1,537 bilhões
Natal
Estádio: R$ 350 milhões
Mobilidade Urbana: R$ 411,1 milhões
Porto Alegre
Estádio: R$ 130 milhões
Mobilidade Urbana: R$ 394,7 milhões
Recife
Estádio: R$ 529,5 milhões
Mobilidade Urbana: R$ 712,1 milhões
Rio de Janeiro
Estádio: R$ 600 milhões
Mobilidade Urbana: R$ 1,610 bilhão
Salvador
Estádio: R$ 591,7 milhões
Mobilidade Urbana: R$ 567,7 milhões
São Paulo
Estádio: R$ 240 milhões + R$ 315 milhões para a urbanização do entorno do Morumbi
Mobilidade Urbana: R$ 2,860 bilhões