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CEBRASSE INFORMA
Mercado interno
poderá ser alternativa para enfrentar
recessão mundial
Crise financeira e recessão devem valorizar o
mercado interno brasileiro, com necessidade de melhorar
a estrutura do segmento de serviços no País
 |
| Paulo Lofreta, presidente
da Central Brasileria de Serviços |

Brasília - Nos últimos
20 anos, a política econômica brasileira
foi
essencialmente exportadora. A possível recessão
mundial, decorrente da crise financeira internacional,
poderá mudar o rumo da economia nacional. O mercado
interno passará a ser uma boa alternativa para
a absorção da produção brasileira
e, consequentemente, para a estabilidade econômica
do País.
Está chegando a hora e a vez do mercado interno
obter mais atenção do governo e setores
produtivos. O segmento de serviços bem-estruturado
será fundamental para aproveitar as oportunidades
que vão surgir e o Brasil poderá se destacar
na economia mundial.
A crise financeira mundial ainda não impactou
diretamente as empresas e empreendimentos de serviços
brasileiros, mas vai impactar. Aqueles ligados às
atividades exportadoras e importadoras deverão
sentir mais rapidamente os efeitos da turbulência
internacional.
Algumas indústrias exportadoras estão parando
a produção e vão aguardar o dólar
se estabilizar. O setor da construção está paralisado
na capital paulista, devido a falta de crédito,
e começa a causar impactos aos prestadores de
serviço.
A situação mundial vai atingir menos os
serviços pessoais, como cabelereiros e profissionais
liberais, entre outros. As vendas do Natal deste ano
podem ser inferiores às vendas do mesmo período
em 2007. Menos contratações temporárias
também devem ocorrer, na temporada natalina. Essas
são algumas das avaliações feitas
por Paulo Lofreta, presidente da Central Brasileira de
Serviços (Cebrasse), em entrevista à Agência
Sebrae de Notícias.
ASN - O segmento de serviços
foi atingido pela instabilidade financeira internacional
?
Paulo Lofreta - Ainda não. Temos
conversado com empresas de mais de 70 segmentos, ligadas à Cebrasse,
e a maioria ainda não se sentiu afetada. Estão
retraídas por pressão psicológica.
A previsão é que aquelas, que prestam serviços
a setores industriais com problemas, serão impactadas
na mesma medida. A paralisação das construtoras
em São Paulo por falta de crédito, por
exemplo, deve gerar paralisação das empresas
de serviço ligadas à construção
em curto prazo. Outro segmento será o de empresas
importadoras e exportadoras. Muitas indústrias
pararam a produção até que o dólar
se estabilize. As prestadoras de serviços em importação
e exportação também serão
atingidas.
ASN - Existe algum segmento que será menos
afetado?
Paulo Lofreta - Deverá chegar
para todos, com certeza. Porém, deve demorar mais
para serviços prestados à pessoa, como
cabelereiros, sapateiros, profissionais liberais, etc.
O consumo continua, pois ainda não foram sentidos
os efeitos da crise internacional.
ASN - E o Natal deste ano, como fica?
Paulo Lofreta - Ainda faltam dois meses, é difícil
prever. Neste Natal, a contratação dos
serviços temporários deverá refletir
a retração do mercado. As vendas podem
ser inferiores ao Natal de 2007. As pessoas vão
ficar retraídas para o consumo.
ASN - Quais os conselhos para os empresários
de serviços?
Paulo Lofreta Cautela. Neste momento,
não devem expandir os negócios, nem assumir
dívidas. Continuem trabalhando, mas com cautela.
Mantenham o otimismo e vamos esperar que o governo tome
as medidas cabíveis.
ASN - Quais seriam essas medidas?
Paulo Lofreta - A manutenção
das linhas de financiamento para o capital de giro e
produção é uma delas. O monitoramento
do mercado para que bancos trabalhem de modo a retirar
recursos do depósito compulsório e repassem
para as empresas é outra. A atuação
do BNDES não basta para acabar com os efeitos
de uma crise como esta. Neste momento como este, tem
que haver comprometimento de todos os bancos com a economia
nacional.
ASN - Essa crise é uma tsunami
ou não?
Paulo Lofreta - É uma tsunami,
mas no Brasil chegou como uma onda do Havaí. As
medidas tomadas, até o momento, ajudaram a acalmar,
porém não sabemos o tamanho do rombo lá fora.
Dizem que foram três trilhões de dólares
investidos em bancos e empresas problemáticas.
Estamos vivendo uma corrida de incerteza e insegurança.
Intervenções do governo ajudam, mas não
depende só dele. O mercado externo está sinalizando
que haverá recessão mundial. O Brasil depende
das exportações. O País se preparou
para essa crise, desde o Proer. Até agora, poucos
bancos brasileiros tiveram problemas e, até o
momento, a crise pegou a construção civil
e exportadoras.
ASN - O que pode significar para o mercado
interno se a situação se agravar lá fora?
Paulo Lofreta - A saída agora é o
mercado interno. Nos últimos 20 anos, a política
econômica brasileira era exportadora. É verdade
que temos produtos que estão acima da capacidade
do consumo nacional. A soja, por exemplo, o mercado interno
não tem como consumir toda a produção
desse grão. Alguns segmentos exportadores terão
problemas. O mercado interno, porém, terá condições
de absorver a produção nacional de vários
setores. Tenho certeza de que uma política para
o mercado interno melhoraria a situação.
ASN - Os serviços podem ajudar
o País a enfrentar a crise?
Paulo Lofreta - Os serviços estão
atrelados à indústria e comércio,
principalmente. Temos pedido atenção especial
para o mercado interno de serviços para governo
e instituições parceiras. Até para
exportar é preciso contar com o setor de serviços
bem-estruturado. O fato de duas indústrias de
brinquedos chinesas terem quebrado e demitido 6 mil empregados,
nas últimas semanas, deve gerar demanda para o
mercado brasileiro. Vamos aproveitar as oportunidades
criadas pela crise para crescer. Esta pode ser a oportunidade
para o Brasil se destacar na economia mundial.
ASN - O País está preparado
para essas eventuais oportunidades?
Paulo Lofreta - Nossa economia está pronta.
Vamos aguardar ano que vem.
Serviço:
Cebrasse - (11) 3251-0669 e www.cebrasse.org.br
Agência Sebrae de Notícias - (61) 33478-7494
e 2107-9362
www.agenciasebrae.com.br
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