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•Indústria
critica alta da Selic e fala em 'vírus da inflação'
• Centrais sindicais criticam
alta de juros
Indústria critica
alta da Selic e fala em 'vírus da inflação'
Para CNI, intensificação do
aperto monetário resultará em maiores danos
ao crescimento econômico
SÃO PAULO - O presidente da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto,
informou nesta quarta-feira, 23, que desaprova a elevação
de 0,75 ponto da taxa básica de juros, a Selic (agora
em 13% ao an), decidida nesta noite pelo Comitê de
Política Monetária (Copom).
Em nota, o presidente da CNI destaca: "Em um ambiente de incerteza
inflacionária, a política monetária gradual é mais
eficaz para coordenar as expectativas de elevação dos preços.
A alteração dessa postura, com a intensificação
do aperto monetário, resultará em maiores danos ao próprio
processo de crescimento econômico."
Ainda na nota, Monteiro Neto diz que o Banco Central deveria esperar
pelas naturais defasagens dos impactos da política monetária
restritiva. "A idéia de acelerar o movimento de redução
do consumo das famílias, via aumento mais intenso dos juros, não
irá gerar os benefícios desejados, uma vez que muito da inflação é originada
globalmente, dado o aumento dos preços internacionais dos alimentos",
avaliou.
A Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) também criticou a decisão. Em nota, a entidade
afirma que "no desentendimento entre as políticas monetária
e fiscal do governo quem sofre são os menos favorecidos. Para combater
o vírus da inflação não se pode usar um único
tratamento, há outros antídotos que não apenas a alta
de juros que impede o crescimento, gera desemprego e prejudica a sociedade".
"O impulso inflacionário que a economia do Brasil vive neste
momento é conseqüência de um vírus, importado, que
adoece nações em todo o mundo. Não podemos, porém,
ignorar o perigo de que se torne uma epidemia em nosso País", continuou
a nota.
A entidade afirmou que, apesar de defender o combate à inflação,
acredita que seria mais eficaz se a gestão das políticas monetária
e fiscal fossem compartilhadas. "O que, infelizmente, não é realidade",
disse.
"Temos, desta forma, um quadro surreal de política econômica,
cujo resultado é uma taxa de juros muito elevada, vitimando a sociedade
com prejuízos imediatos. Um exemplo disso, está na sobrevalorização
da taxa de câmbio que, cada vez mais, compromete a competitividade do
produto brasileiro", disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Ele questionou
ainda "de que adianta subir os juros, se o governo não controla
os gastos públicos".
Centrais sindicais
criticam
alta de juros
Brasília - A decisão de aumentar em 0,75% a
taxa básica de juros, tomada nesta quarta-feira (23)
pelo Comitê de Política Monetária (Copom),
desagradou algumas das principais centrais sindicais do País.
Em nota, a Central Única dos Trabalhadores (CUT)
destaca que “as altas taxas básicas de juros
são contrárias aos interesses da classe trabalhadora”,
porque o aumento não tem efeito sobre o combate à inflação
e que servirá para penalizar ainda mais os assalariados. “Contra
a inflação, defendemos menos especulação,
menos juros e mais produção”, diz a nota.
“A pressão inflacionária sobre os alimentos,
que penaliza muito mais os assalariados, deve ser combatida
com o fortalecimento do apoio à agricultura familiar,
por meio da ampliação da oferta e dos prazos
do crédito, garantia de preços mínimos
e de assistência técnica, entre outras medidas.
Outra frente de combate deve se dar sobre setores que especulam,
seja por intermédio de contenção de
estoques ou de elevação de preços chamada
de 'preventiva', que nada mais é que apostar em inflação
futura”, defende o presidente nacional da CUT, Artur
Henrique.
“Com o objetivo explícito de desacelerar a
economia, essa política comprime nosso potencial e
atenta contra a manutenção do ciclo de crescimento
sustentado. Atrapalha, inclusive, a ampliação
da oferta de alimentos e pouca eficácia tem contra
a pressão inflacionária sobre o setor, já que
as principais causas vêm do mercado externo”,
assinala a CUT.
Também por meio de nota, a Força Sindical
manifesta repúdio ao aumento, classificando-o de “cavalar”. “A
medida é impopular porque de imediato vai dificultar
a campanha salarial de cerca de 3,5 milhões de trabalhadores
que já estão negociando reposição
das perdas e aumento real de salário com os patrões.
Ao mesmo tempo dificulta o investimento das empresas na produção."
Para a Força Sindical, se o governo quer combater
a inflação tem de incentivar o aumento da produção
de alimentos e reduzir os impostos dos produtos da cesta
básica.
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