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Base
racha e projeto para
recriar CPMF perde força
Apoio fica dividido por causa da recusa do Palácio
do Planalto em assumir papel de fiador da proposta; bancada
do bingo tenta aproveitar brecha
por Denise Madueño
A recusa do Palácio do Planalto em assumir o papel
de fiador explícito da recriação da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira
(CPMF) provocou a decomposição do apoio dentro
da base aliada à aprovação da Contribuição
Social para a Saúde (CSS), com alíquota de 0,10%.
A fragilidade dos defensores do novo imposto do cheque provocou
um efeito colateral: a bancada do bingo tenta, agora, pegar
carona no projeto de regulamentação da Emenda
29, que estabelece as regras para a destinação
de recursos para a saúde.
Fórum:
Opine sobre a recriação da CPMF
O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) comanda um
grupo de cerca de 20 deputados que procura aprovar a legalização
dos bingos no País. A proposta é aprovar a volta
dos bingos e, em troca, destinar parte da arrecadação
com a atividade para custear as ações de saúde.
Segundo Faria de Sá, seriam cerca de R$ 5 bilhões
por ano. Mesmo sem chance de aprovação, a proposta
mostra a existência de mais um segmento dissidente na
votação da CSS.
A Frente Parlamentar da Saúde insiste em votar o projeto
aprovado pelo Senado que muda o cálculo dos recursos
obrigatórios para a área. A proposta estabelece
o repasse para o setor de 10% da arrecadação
bruta da União, sem a adoção de um novo
imposto. “Não defendemos que a saúde seja
custeada nem por jogo, nem por cigarro, nem por bebida. Daqui
a pouco vão defender o vício para que haja dinheiro
para a saúde. Não vamos votar a favor de criar
uma contribuição e somos contra qualquer aumento
de carga tributária”, afirmou o deputado Rafael
Guerra (PSDB-MG), um dos coordenadores da frente.
Parte da resistência à aprovação
da CSS está na “bancada da barganha”, que
sente a falta de um fiador de peso que garanta a contrapartida
do voto a favor da CSS - ou seja, que atenda às reivindicações
dos parlamentares, como a liberação de emendas
ou o atendimento de pedidos para os municípios de sua
base eleitoral, principalmente neste ano de eleições
para prefeitos.
Mesmo trabalhando pela criação do imposto,
o governo apresenta o discurso de que se trata de uma iniciativa
do Legislativo. Com isso, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e seus ministros se livram do encargo de atender
às barganhas políticas em troca dos votos, mas
enfrentam dificuldades para obter o número favorável
para aprovação.
O discurso de alguns líderes governistas é
de que há voto na base para aprovar a CSS. A proposta
está na pauta de hoje da Câmara, mas a votação
pode ficar para amanhã. Na base, há quem defenda
o adiamento. O projeto cria a contribuição com
arrecadação destinada à saúde
e mantém a regra segundo a qual os recursos serão
calculados pelo total aplicado no ano anterior mais a variação
do Produto Interno Bruto (PIB). A oposição promete
manter a estratégia de obstruir para tentar barrar
a criação da contribuição. Os
partidos de oposição reafirmam que o governo
tem caixa para aumentar os repasses para a saúde.
Propostas
Como é hoje
Estados devem reservar 12% de seu Orçamento para saúde,
e municípios, 15%. União tem de reservar o equivalente
ao gasto no ano anterior, corrigido pela variação
do PIB
Projeto de Tião Viana (PT-AC)
Regra para Estados e municípios continua. Os que não
a cumprirem terão até 2011 para se ajustar.
Caberá à União reservar 10% da receita
bruta, com ajuste até 2011
Proposta dos governistas
Valem as regras atuais, mas com acréscimo. Contribuição
(CSS) seria criada, com arrecadação transferida
automaticamente para o Fundo Nacional de Saúde. Base
admite contribuição temporária
FONTE: Jornal O Estado de São Paulo
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