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opiniões expressas nos artigos e editoriais são
de responsabilidade de seus autores, não representando
necessariamente o posicionamento da CEBRASSE. |
Agenda
mínima, urgência máxima
Reconstrução das relações entre
o trabalho e capital no Brasil
O setor de prestação de serviços é
o que mais emprega no Brasil. São mais de 11 milhões
de brasileiros trabalhando com carteira assinada, de acordo
com dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística
(IBGE). O segmento responde por 64% do Produto Interno Bruto
do país e, em 2007, foi responsável pela geração
de 500 mil novos empregos formais, mais que a indústria
e o comércio. Porém, é na mão-de-obra
– o principal insumo do setor – que incide a maior
carga de tributos.
Existe, atualmente, no Brasil cerca de 13,8 milhões
de trabalhadores na informalidade, grande parte deles nos
vários ramos do setor de prestação de
serviços. Desonerar a folha de pagamento tem sido uma
das reivindicações históricas da CEBRASSE
– Central Brasileira do Setor de Serviços –,
entidade que representa mais de mil empresários e 8
milhões de empregados, em todo o território
nacional. Recentemente, o governo acenou com uma proposta
que vem de encontro a essa expectativa do setor, mas precisa
ser amplamente conhecida e analisada em profundidade.
Uma agenda esboçada pelo ministro Extraordinário
do Núcleo de Assuntos Estratégicos do Governo,
Roberto Mangabeira Unger, no documento "Diretrizes a
respeito da reconstrução das relações
entre o trabalho e capital no Brasil", contém
algumas propostas de alteração da legislação
previdenciária e trabalhista. Anunciado após
oito meses de discussões, o pacote prevê a redução
da contribuição patronal à Previdência
e promete mudanças radicais nas relações
entre empresas e trabalhadores. Precisamos de mais, porém
já é um bom começo.
Se implementada, a medida certamente contribuirá para
aumentar a competitividade das empresas – que hoje arcam
com mais de 30% de impostos sobre os salários de seus
empregados – e estabelecerá um novo paradigma:
deixa de cobrar muito de poucos, como o faz atualmente, para
cobrar menos de muitos. Dessa forma, o governo estimulará
quem contrata mais, cobrando menos imposto. Estudos adotados
pelo Ministério da Previdência Social correlacionam
a redução da contribuição sobre
a folha de pagamento, que atualmente é de 20%, a expansão
da formalização do mercado de trabalho, ampliando-se,
assim, a base de contribuição.
Essa mudança é altamente positiva para os prestadores
de serviços. A idéia, porém, precisa
ser vista com reservas, porque em nenhum trecho de seu extenso
arrazoado, Mangabeira Unger deixa claro como pretende colocar
a proposta em prática. Se não for mais um daqueles
planos mirabolantes que costumam ser anunciados com pompa
e circunstância pelos governantes, às vésperas
de alguma efeméride – como é o caso, o
1º de maio –, e que depois se perdem nos labirintos
do esquecimento, a proposta pode abrir uma nova perspectiva
no mercado do trabalho. Só a intenção
não é suficiente.
Razões técnicas não faltam para a adoção
das diretrizes apontadas, já que todos, sem exceção,
ganharão com a medida: a sociedade, as empresas, os
trabalhadores e o próprio governo, que combaterá
o desemprego e, ao mesmo tempo, aumentará a arrecadação,
com mais trabalhadores de carteira assinada contribuindo com
a Previdência.
Alguns focos de resistência às mudanças
propostas pelas Diretrizes já foram vencidos. Seis
centrais de trabalhadores, maiores opositores da idéia,
compreenderam a abrangência da medida e hipotecaram
seu apoio ao projeto. O próprio presidente Lula já
avalizou a idéia. O que ainda falta para implementar
tais medidas? Coragem política. O governo não
pode protelar a decisão. O governo precisa implantar
uma sólida política para o setor de prestação
de serviços, eixo importante da empregabilidade, que
poderá abrir, no curto prazo, milhares de novos empregos
formais. E por isso, merece algo mais que balões de
ensaio e factóides.
Paulo Lofreta é administrador de
empresas e presidente da CEBRASSE (Central Brasileira do Setor
de Serviços
Artigo
publicado no site da
Pauta
Social
CEBRASSE NEWS
CEBRASSE
- Central Brasileira do Setor de Serviços
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