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opiniões expressas nos artigos e editoriais são
de responsabilidade de seus autores, não representando
necessariamente o posicionamento da CEBRASSE. |
Agenda
mínima, urgência máxima
O setor de prestação de serviços é
o que mais emprega no Brasil. São mais de 11 milhões
de brasileiros trabalhando com carteira assinada, de acordo
com dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística
(IBGE). O segmento responde por 64% do Produto Interno Bruto
do país e, em 2007, foi responsável pela geração
de 500 mil novos empregos formais, mais que a indústria
e o comércio. Porém, é na mão-de-obra
– o principal insumo do setor – que incide a maior
carga de tributos.
O setor de Segurança Privada é um exemplo emblemático
desse desequilíbrio: cada empregado contratado representa
80% a mais em impostos e encargos para as empresas de segurança.
A diminuição desse custo aumentaria a competitividade
das prestadoras de serviços e, também, estimularia
a contratação de novos trabalhadores com carteira
assinada. Existe, atualmente, no Brasil cerca de 13,8 milhões
de trabalhadores na informalidade, grande parte deles nos
vários ramos do setor de prestação de
serviços.
Desonerar a folha de pagamento tem sido uma das reivindicações
históricas da CEBRASSE – Central Brasileira do
Setor de Serviços –, entidade que representa
mais de mil empresários e 8 milhões de empregados,
reunidos em mais de 80 federações, sindicatos,
associações, institutos e conselhos de classes
do setor de prestação de serviços, em
todo o território nacional. Recentemente, o governo
acenou com uma proposta que vem de encontro a essa expectativa
do setor, mas precisa ser amplamente conhecida e analisada
em profundidade. Queremos saber se virá de fato corresponder
às expectativas do setor.
Uma agenda esboçada pelo ministro Extraordinário
do Núcleo de Assuntos Estratégicos do Governo,
Roberto Mangabeira Unger, no documento "Diretrizes a
respeito da reconstrução das relações
entre o trabalho e capital no Brasil", contém
algumas propostas de alteração da legislação
previdenciária e trabalhista. Anunciado às vésperas
do Dia do Trabalhador, após oito meses de discussões,
o pacote prevê a redução da contribuição
patronal à Previdência e promete mudanças
radicais nas relações entre empresas e trabalhadores.
Precisamos de mais, porém já é um bom
começo.
Se implementada, a medida certamente contribuirá para
aumentar a competitividade das empresas – que hoje arcam
com mais de 30% de impostos sobre os salários de seus
empregados – e estabelecerá um novo paradigma:
deixa de cobrar muito de poucos, como o faz atualmente, para
cobrar menos de muitos. Dessa forma, o governo estimulará
quem contrata mais, cobrando menos imposto. Estudos adotados
pelo Ministério da Previdência Social correlacionam
a redução da contribuição sobre
a folha de pagamento, que atualmente é de 20%, a expansão
da formalização do mercado de trabalho, ampliando-se,
assim, a base de contribuição.
Essa mudança é altamente positiva para os prestadores
de serviços. A idéia, porém, precisa
ser vista com reservas, porque em nenhum trecho de seu extenso
arrazoado, Mangabeira Unger deixa claro como pretende colocar
a proposta em prática. Se não for mais um daqueles
planos mirabolantes que costumam ser anunciados com pompa
e circunstância pelos governantes, às vésperas
de alguma efeméride – como é o caso, o
1º de maio –, e que depois se perdem nos labirintos
do esquecimento, a proposta pode abrir uma nova perspectiva
no mercado do trabalho. Só a intenção
não é suficiente.
Razões técnicas não faltam para a adoção
das diretrizes apontadas, já que todos, sem exceção,
ganharão com a medida: a sociedade, as empresas, os
trabalhadores e o próprio governo, que combaterá
o desemprego e, ao mesmo tempo, aumentará a arrecadação,
com mais trabalhadores de carteira assinada contribuindo com
a Previdência.
Alguns focos de resistência às mudanças
propostas pelas Diretrizes já foram vencidos. Seis
centrais de trabalhadores, maiores opositores da idéia,
compreenderam a abrangência da medida e hipotecaram
seu apoio ao projeto. O próprio presidente Lula já
avalizou a idéia. O que ainda falta para implementar
tais medidas? Coragem política. O governo não
pode protelar a decisão. O governo precisa implantar
uma sólida política para o setor de prestação
de serviços, eixo importante da empregabilidade, que
poderá abrir, no curto prazo, milhares de novos empregos
formais. E por isso, merece algo mais que balões de
ensaio e factóides.
Paulo Lofreta é administrador de
empresas e presidente da CEBRASSE (Central Brasileira do Setor
de Serviços) - Website: www.cebrasse.org.br
Artigo
publicado no site da
Câmara
de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil
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