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25 de Outubro de 2018
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ECONOMIA DE PLATAFORMAS E APLICATIVOS AMEAÇA A EXISTÊNCIA DAS EMPRESAS TRADICIONAIS

A UBER e outras empresas digitais pretendem ampliar oferta de serviços nos próximos meses, inclusive de seguranças, garçons, porteiros, funcionários de limpeza, serviço temporário e tantos outros possíveis, na prática, por meio de plataformas, aplicativos e outras fórmulas digitais. E tudo indica que todas as atividades da produção de bens e serviços serão atingidas em curto espaço de tempo.

As empresa tradicionais, não integramente digitais, que geralmente tem sedes físicas, funcionários registrados e outros custos, dificilmente irão concorrer, seja pela facilidade de contratação, seja pelo custo a ser cobrado e demais vantagens que esses sistemas podem oferecer.

Essas ações e consequências já podem ser vistas em várias áreas de atividade: taxis, hotéis, livrarias, empresas de turismo e tantas outras controladas pelos aplicativos. Até mesmo a própria sobrevivência das empresas envolvidas passam a depender dos aplicativos, e então estes é que fazem condições de contrato e até preço. Na área de restaurantes os aplicativos controlam quase que totalmente os serviços delivery (cobram em geral até mais de 20% do custo do produto para entrega) e agora estão oferecendo marmitas em fábricas e escritórios, almoços em casas de família, chefs cozinhando a domicilio e outros serviços, ameaçando a existência de milhares de empresas do setor. Claro que alguém fabrica o produto a ser entregue, mas a parte de leão do lucro fica com os poderosos aplicativos, verdadeiros oligopólios.

A proliferação dos aplicativos tem vantagens e desvantagens. De qualquer forma, importante discutir agora os reflexos da precarização e no equilíbrio financeiro das empresas tradicionais, consequentemente na arrecadação tributária, previdenciária e oferta de empregos com carteira assinada. E evidente, também no controle da soberania política e independência econômica do país. Afinal, de onde virá o controle da economia, as opções sobre rumos do desenvolvimento, como ficará a responsabilidade social de empresas cujas sedes, acionistas, dirigentes, sequer são conhecidas? Quem fiscalizará suas atividades? Se as que oferecem serviços tão pulverizados, quebrarem, quem pagará credores, trabalhadores, consumidores , lesados? Onde estes irão reclamar? Como se regulará a concorrência, em que tribunal se poderá reclamar de práticas monopolistas? Cartéis?

A economia com base em plataformas e aplicativos será revolucionária, não é possível detê-la, mas quem sabe se possa pelo menos disciplinar sua atividade, dar-lhe uma direção, em especial para preservar empresas, empregos, arrecadação tributária e previdenciária,, evitar práticas ilegais de mercado, aproveitar enfim, o que tem de bom, evitando malefícios que já aparecem nas atividades por eles controladas.

Nesse mesmo sentido, talvez já esteja na hora de se discutir a economia de mercado do futuro, sob impacto de tecnologias que produzirão sem precisar de trabalhadores, braçais ou intelectuais. É evidente que essa evolução não cria emprego no mesmo ritmo que os extingue. E se vai haver mais produção, será necessário também haver mercado de consumo. Nem se pense que basta aumentar exportação, pois os demais países estarão enfrentando o mesmo problema. A defesa do mercado interno americano, de consumo e na produção, por Trump, uma virada radical contra o “Consenso de Washington”, pode já ser um sinal. Quem substituirá os trabalhadores, pela notícia abaixo até empresários, que forem sendo substituídos por tecnologias, robôs, aplicativos etc.


PERCIVAL MARICATO, VICE-PRESIDENTE JURÍDICO DA CEBRASSE


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Uber se prepara para lançar serviço de contratação de garçons e seguranças

Nova área de atuação ajudaria a elevar avaliação da empresa antes da estreia na Bolsa

O Globo, com agências internacionais

18/10/2018 - 19:01 / 18/10/2018 - 20:36

UBER

O Uber está testando um serviço de "trabalho sob demanda" que poderia ampliar sua área de atuação para além do setor de transporte pela primeira vez. Segundo a CNBC, a iniciativa é similar a uma agência de trabalho temporário, com a oferta de mão de obra como garçons e seguranças.

De acordo com o Financial Times, o primeiro a publicar informações sobre o novo serviço, o Uber Works ajudaria a elevar a avaliação da empresa antes de sua estreia na Bolsa, prevista para 2019.

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No lugar de um negócio voltado para oferta de serviços na área de transporte, a empresa passaria a ser avaliada como uma ampla plataforma para todo tipo de trabalho temporário e sob demanda.

Reportagem publicada nesta semana pelo Wall Street Journal afirma que a empresa poderia ser avaliada em até US$ 120 bilhões. Previsões de empresas de tecnologia, porém, costumam flutuar muito antes da abertura de capital.

O novo programa, batizado de Uber Works, está em fase de testes em Chicago e deve oferecer profissionais para eventos e congressos. Ele é direcionado para pessoas que não trabalham como motoristas do Uber.

Além disso, o Uber Works poderia se tornar uma nova fonte de renda para os milhões de motoristas contratados pelo Uber, que já podem complementar a renda com outro serviço da empresa, o Uber Eats, de entrega de comida.